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A jovem dançarina Camilly André, de 22 anos, criada em Itabela, no Extremo Sul da Bahia, está vivendo um dos momentos mais marcantes de sua trajetória pessoal e artística. Atualmente em Tisno, na Croácia, ela representa a cultura brasileira em um grande evento internacional de lambada, ministrando aulas para participantes de diversos países.

Em entrevista por telefone ao portal Vejonamidia Jornalismo, Camilly relembrou sua caminhada, falou sobre os desafios enfrentados e destacou o orgulho de levar o nome de Itabela e Porto Seguro para a Europa.

Natural de Eunápolis, mas criada em Itabela, Camilly contou que sempre teve forte ligação com os estudos e com o esporte. Medalhista em olimpíadas de matemática e ex-atleta de basquete, ela afirma que a educação teve papel fundamental em sua formação.

“Sou filha do professor Elisvaldo e cresci em uma família que sempre valorizou muito a educação. Foi essa base que me ensinou a respeitar as pessoas, as diferenças e as culturas”, destacou.

Apesar do amor pela dança desde a infância, ela revelou que, inicialmente, não se identificou com os estilos disponíveis em sua cidade.

“Em Itabela, naquela época, praticamente só existiam escolas de balé. Eu até tentei, mas não era aquilo que me fazia feliz. Então, continuava dançando em casa, apenas por prazer”, relembrou.

O encontro com a lambada aconteceu aos 18 anos, durante uma viagem a Porto Seguro acompanhando sua avó. A partir daquele momento, sua vida começou a mudar.

“Quando conheci a lambada, senti algo diferente. Era uma cultura viva, alegre e cheia de liberdade. Aquilo me encantou profundamente”, afirmou.

Pouco tempo depois, ao decidir qual faculdade cursaria após o Enem, Camilly escolheu morar em Porto Seguro para estudar Engenharia Sanitária e Ambiental na Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Segundo ela, a decisão também foi motivada pelo desejo de permanecer próxima da dança.

“Porto Seguro me formou como artista. A lambada se tornou meu nicho, meu principal trabalho e uma das maiores alegrias da minha vida”, disse.

Com o passar do tempo, a jovem passou a ser conhecida carinhosamente como “Princesinha da Lambada”, apelido que surgiu espontaneamente entre amigos e admiradores.

“Minha forma de tratar as pessoas, de me vestir, de usar uma flor no cabelo e de dançar sempre sorrindo acabou fazendo com que esse apelido surgisse naturalmente. Tenho muito carinho por isso”, contou emocionada.

A oportunidade internacional surgiu após conhecer Guido, organizador de eventos europeus, durante um evento de lambada em Maraú, na Bahia.

“Ele sempre dizia que um dia eu participaria do evento dele na Europa. Eu achava impossível, porque nunca tive condições financeiras para isso”, relatou.

Anos depois, durante um reencontro em São Paulo, Guido gravou um vídeo anunciando simbolicamente a presença de Camilly no evento europeu. Para surpresa da jovem, o convite realmente se concretizou.

“Quando percebi que aquilo estava acontecendo de verdade, foi uma emoção indescritível”, revelou.

Hoje, em solo europeu, Camilly ministra aulas de lambada durante oito dias para congressistas de várias nacionalidades. Ela afirma que ainda está assimilando tudo o que está vivendo.

“Pisar em outro continente levando comigo a cultura da lambada foi algo inesquecível. Tenho orgulho de representar Itabela, cidade onde fui formada como pessoa, e Porto Seguro, cidade que me formou como artista”, destacou.

A viagem, no entanto, não foi fácil. Antes mesmo de chegar ao destino, a jovem enfrentou dificuldades após o cancelamento do voo.

“Meu voo foi cancelado e remarcado para três meses depois, mesmo estando previsto para sair naquele dia. Eu estava sozinha, perdida, sem falar o idioma local, mas consegui resolver tudo e seguir viagem”, lembrou.

Segundo Camilly, sua missão vai além da dança. Ela acredita que sua trajetória pode inspirar outros jovens da região a acreditarem em seus sonhos.

“Tive a oportunidade de participar de um projeto social de dança de salão no Colégio Estadual de Itabela e vi quantos jovens talentosos existem ali. Muitos só precisam acreditar mais em si mesmos”, afirmou.

A dançarina também defendeu uma maior valorização da lambada na região de Porto Seguro, onde o ritmo é reconhecido como patrimônio cultural e material.

“É triste ver que hoje não existe uma pista própria dedicada à lambada como existia antigamente. Os turistas deixam de conhecer uma cultura viva, alegre e cheia de identidade”, lamentou.

Ao longo da entrevista, Camilly fez questão de agradecer às pessoas que contribuíram em sua caminhada, entre familiares, amigos e apoiadores.

“Sou profundamente grata a todos que acreditaram em mim e me incentivaram quando tudo parecia impossível”, declarou.

Entre tantas lembranças marcantes, uma frase negativa ainda permanece em sua memória.

“Uma vez me disseram que eu não poderia dar aulas porque era muito nova. Aquilo me machucou muito. Se eu tivesse acreditado nisso, talvez não estivesse vivendo nada do que vivo hoje”, revelou.

Apesar das dificuldades, ela seguiu em frente e transformou o sonho em realidade.

E ao definir o significado da lambada em sua vida, Camilly resume com emoção:

“A lambada vive.”

Ao olhar para trás e lembrar da menina simples de Itabela apaixonada pela dança, ela deixa uma mensagem sincera para si mesma:

“Que bom que você não desistiu.”

Por Hélio Brasil ✍️
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